Qualquer palavra do dia a dia quer dizer mil coisas. A gente associa paciência a esperar pelo garantido - como esperar numa fila, esperar um retorno, esperar resultados. Mas paciência também é deixar que as coisas aconteçam sem que elas tirem um pedaço nosso. Não é deixar de agir, mas, digamos, é deixar de se agitar.
O poema é este:
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A mera espera
Orvalho
Brota e seca uma erva
Baque brusco do galho
A mera espera
Observa
*
Enervam-se os reacionários
Contendo o tempo a cabeçadas
E o mundo que não muda
Orfana os que nasceram
Com três eras de antecedência
Júbilo ou derrocada
A mera espera
Paciência
*
As mães com seus cuidados
Os filhos com jactância
A bile que amarga a fome
O medo estourando a pança
Morrer maldito ou sem nome
Casualidade ou sina
A mera espera
Respira
*
O céu ultrajado de satélites
Ou ofuscado pelas cidades
Os lumes infinitos cruzando
De baixo a cima, ou o oposto
A Terra evacuada às pressas
A Terra invadida com gosto
O céu que ignora um corpo
Um corpo que esquece do rosto
Segunda-feira, Finados,
Juízo, Gênese, cachorro louco
A mera espera
Agosto
*
A mera espera
Coração
Cada batida uma estrela
Cada adeus, constelação
A mera espera
Perdão
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Sei que tem muita gente malzona com os resultados desse primeiro turno. A paciência é ver a casa pegando fogo e pensar se há um mangueira, se há um balde dágua, se há uma enxada para cavar um aceiro. E não tem como argumentar pela paciência, como não tem como argumentar pela indignação. Eu sou por ser paciente e indignado. Por aí, é mais fácil agir.